,

Leonardo Bettelli Lutf - Cabeleireiro

Minha profissão veio de família. Comecei aos quinze anos junto com a minha avó, que era cabeleireira em uma cidade pequena chamada Guaxupé, no interior de Minas Gerais. Após alguns anos, vim para São Paulo para trabalhar com arte, queria ser ator, mas não tive como escapar e acabei fazendo o que amo.

O que era para ser apenas um bico, virou minha atividade principal. Acredito que, no fundo, eu sempre soube que ser cabeleireiro era a minha vocação. Atuo na área há 26 anos, não mais por necessidade, mas por aptidão. Eu amo o que eu faço, e não é pouco. Amo cuidar das pessoas, da aparência, da beleza, da necessidade de cada uma. Amo saber que posso encantá-las.

Francamente, algumas vezes pensei em desistir, afinal é uma profissão que exige muito do corpo. Trabalho cerca de 80 horas por semana e tenho que ficar muitas horas em pé, uma média de 10 horas, no mínimo, por dia. O trabalho tem hora para começar, mas não tem hora para acabar. Fora que o desgaste físico acompanha o mental.

No trabalho artístico preciso estar o tempo todo atento à necessidade do cliente e cuidar da vaidade e da beleza da mulher, principalmente, é bem delicado. Os movimentos repetitivos das mãos acabam sendo muito dolorosos, há desgaste e stress muscular. Enfim, é um trabalho de dedicação absoluta, mas procuro estar sempre disposto. Na verdade, essa profissão é uma entrega tão grande, que para mim é mais que uma vocação, é uma religião, uma necessidade. Eu não poderia ser outra coisa, ser cabelereiro é minha paixão, e quero fazer isso para minha vida inteira.